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sexta-feira, 8 de março de 2019

Roteiro de Aula Prática 1




Roteiro de aula prática -1
Extração de DNA de células de mucosa oral

Uma boa técnica para compreender os principais reagentes atuantes no processo de extração de DNA genômico de células eucarióticas é a de extração de DNA de células da mucosa oral.
Ao final do processo você deverá compreender:

  1. Qual a função do sal?
  2. Qual a função do detergente?
  3. Qual a função do banho a 60 °C?
  4. Qual a função do gelo ?
  5. Qual a função do Álcool ?

Extração de DNA de mucosa bucal (individual ou por grupo):
1. 1 copo descartável
2. 1 espátula de madeira ou cotonete
3. 15 mL de solução de sacarose a 3%
4. 1 tubo de ensaio
5 Uma proveta para 15 mL
6. Etanol absoluto gelado
7. Sal de cozinha
8. Banho à 60 °C
9. Estantes para tubos de ensaio
10. Caixa de isopor com gelo
11. 1 micropipeta de 500 μL
12. 1 mL de detergente neutro diluído a 25%

Procedimento:
1. Higienizar a boca fazendo bochechos com água ou se possível escovando os dentes.
2- Delicadamente raspar a mucosa bucal com uma espátula de madeira ou cotonete.
3- Colocar aproximadamente 15mL de água com açúcar na boca (1 colher de chá de açúcar em 100 ml de água).
4- Bochecar vigorosamente por 30 segundos
5- Recolher o volume obtido do bochecho no mesmo copo descartável. Mergulhar a espátula ou cotonete usado na raspagem da mucosa no volume obtido do bochecho.
6- Transferir apenas 5 mL do volume obtido no passo 5 para um tubo de ensaio e adicionar uma pitada de sal de cozinha. Homogenizar invertendo o tubo.
7-Adicionar 500 μL de detergente neutro diluído à 25% (1:4) e homogeneizar cuidadosamente.
8- Aquecer a 60 °C por 10 min. Resfriar 5 min no gelo.
9- Adicionar álcool gelado (absoluto se possível) pelas bordas do tubo lentamente, até que se alcance pelo menos 1cm de espessura. O DNA, insolúvel no álcool, ficará visível.

Roteiro de Aula Prática 2




Roteiro de aula prática 2:
PCR (Reação de polimerase em cadeia)

PCR é a replicação sequencial do DNA in vitro. O produto do PCR pode ser utilizado para: clonagem de genes, seqüenciamento de genes, identificação de patologias (infecciosas ou genéticas), taxonomia, genotipagem (fingerprints) e na medicina forense. Os princípios básicos da técnica da PCR foram descritos por Kjell Kleppe, Har Gobind Khorana e colaboradores em 1971. Neste período o aparelho era projetado para acrescentar a enzima DNA polimerase a cada ciclo.
T. Brock e H. Freeze, em 1969, relataram a descoberta de uma nova espécie de bactéria – Thermus aquaticus –sobrevive na água à temperatura média de 75°C. Após esta descoberta, o DNA polimerase desta bactéria foi isolado e utilizado na PCR.
Esta técnica consiste de três etapas: Desnaturação, hibridização (pareamento) e polimerização (extensão). A desnaturação é a quebra das pontes de hidrogênio da molécula de DNA por aquecimento, este processo ocorre entre 94ºC a 96ºC. A segunda etapa é de pareamento, aonde o primer irá se ligar a sequência alvo, este processo ocorre na temperatura entre 37ºC a 65ºC. A última etapa é polimerização, que consiste na extensão da fita de DNA através dos iniciadores na temperatura de 72ºC.
Para que ocorra a amplificação do DNA é necessária a adição dos seguintes componentes: DNA polimerase, nucleotídeos (dNTP), primer (iniciador), tampão (manter o pH ótimo para a reação enzimática), MgCl2 (co-fator enzimático) e DNA.
Objetivo da aula: Demonstrar aos alunos como realizar o preparo da mistura mestra (MIX) e a utilização do aparelho de reação de polimerase em cadeia.
Materiais e Métodos
- Microtubos de 1,5 mL e 0,2 mL.
- Galeria para microtubos.
- Micropipetador.
- Ponteiras.
- Reagentes: DNA polimerase, nucleotídeos (dNTP), primer, tampão, MgCl2 e DNA.
- Fluxo laminar
- Termociclador


Procedimento para realização da técnica de PCR:

Preparação do Mix

2,5uL de tampão 10x
1,5uL MgCl2  50mM
2,0 uL dNTP 10mM
0,5uL Taq DNA polymerase
1,0 uL Primer FF – 25mM
1,0 ulLPrimer RW – 25mM
13,5uL água de PCR
.
Reação final: 25uL (22uL  do Mix+ 3uL DNA)
Amplificação
94°C / 2 min
40 ciclos de: 94°C/30seg, 54°C/ 1min, 72°C/ 4min
72°C/ 1min
4°C (final) 

Corrida em Gel


       Gel a 1,5% em TBE 1x por 30 minutos, utilizando marcador de 100pb.

Resultado

Roteiro de Aula Prática 3




Roteiro de aula prática 3:
 Enzimas de restrição

1. Enzimas de Restrição

Em 1953 foi descrito um estranho fenômeno no qual a eficiência da replicação de um bacteriófago (vírus de bactérias) dependia da célula hospedeira na qual ele estava inserido. Algum tempo depois percebeu-se que a inabilidade de certos fagos crescerem em determinadas linhagens bacterianas era devido a presença de nucleases altamente específicas que clivavam o seu DNA. Isto pode ser encarado como um sistema de defesa bacteriano que degrada DNA que lhe é estranho (restrição). A bactéria protege seu próprio DNA desta degradação “camuflando-o” através da metilação de algumas bases específicas (modificação). Como consequência, este sistema é frequentemente descrito como fenômeno da restrição/modificação e existe em um grande número de bactérias.
As enzimas de restrição ou endonucleases de restrição são divididas em várias classes, dependendo da estrutura, da atividade e dos sítios de reconhecimento e clivagem. As enzimas do Tipo II, as mais importantes na Tecnologia do DNA Recombinante, são proteínas monoméricas ou diméricas e clivam o DNA no mesmo sítio do seu reconhecimento. O sítio de reconhecimento deste tipo de enzima é normalmente uma sequência palindrômica, isto é, ela tem um eixo de simetria e a sequência de bases de uma fita é a mesma da fita complementar, quando lida na direção oposta (Figura 1).









Figura 1. Os dois tipos de clivagem feitos por enzimas de restrição. As setas indicam os sítios de clivagem e as linhas pontilhadas representam o centro de simetria da sequência.

Estas enzimas reconhecem sequências específicas de 4 a 8 pares de base (pb) na molécula de DNA e fazem dois cortes, um em cada fita. Há 2 tipos distintos de clivagens: a) os dois cortes ocorrem no eixo de simetria da sequência específica, gerando extremidades abruptas, ou b) os cortes são feitos simetricamente, porém, fora do eixo de simetria, gerando extremidades coesivas. Estes dois tipos de clivagens e suas consequências estão mostrados na Figura 1.



Atualmente, mais de 1000 enzimas de restrição já foram identificadas. A nomenclatura desenvolvida foi baseada na abreviação do nome do microrganismo do qual a enzima foi isolada. A primeira letra representa o gênero e as outras duas a espécie, seguido de um algarismo romano (ou outra letra) que indica a ordem da descoberta ou a linhagem da qual ela foi isolada. Por exemplo, a enzima de restrição denominada de EcoRI é purificada de uma Escherichia coli que carrega um fator de transferência de resistência RI, enquanto que a Hind III é isolada da Haemophilus influenzae, linhagem d III.
A Tabela 1 mostra a sequência palindrômica e o local de clivagem de algumas enzimas de restrição. Note que algumas enzimas deixam terminações coesivas enquanto que outras fazem cortes abruptos ou não coesivos.




Tabela 1. Algumas endonucleases de restrição: origem e sítios de clivagem. A seta indica o local de clivagem. Pu e Pi referem-se, respectivamente, a qualquer purina e pirimidina.

O interesse por estas enzimas de restrição aumentou em 1973 quando se percebeu que elas poderiam ser usadas para fragmentar o DNA deixando extremidades de fitas simples de DNA que permitiam a ligação dos fragmentos. Isto significava que a recombinação poderia ser efetuada em tubos de ensaio. Além disto, DNA bacteriano poderia recombinar com DNA humano ou de qualquer outra espécie, abrindo a possibilidade de clonar genes humanos ou isolar proteínas de culturas bacterianas.
Uma importante consequência da especificidade destas enzimas de restrição é que o número de clivagens feito por cada uma delas no DNA de qualquer organismo é definido e permite o isolamento de fragmentos deste DNA. Portanto, cada enzima de restrição gera uma família única de fragmentos quando cliva uma molécula de DNA específica. Enzimas que reconhecem sítios de restrição compostos por 4 pares de bases clivam o DNA em média a cada 256 nucleotídeos (44=256). Aquelas que reconhecem sítios com 6 e 8 pb clivam o DNA em média a cada 4096 e 65536 pb, respectivamente. No entanto, esta média pode sofrer variações significativas, dependendo principalmente da composição de bases do DNA analisado. Por exemplo, a enzima NotI reconhece um sítio de restrição contendo 8pb, incluindo nucleotídeos CpG, que raramente ocorre no DNA de mamíferos.
A família de fragmentos gerados por digestão com enzima de restrição é geralmente detectada pela separação destes fragmentos por eletroforese em gel de agarose. Os fragmentos migram em função de seus pesos moleculares sendo que os menores migram mais rapidamente (Figura 2).





Figura 2. Moléculas de DNA de tamanhos diferentes podem ser separadas por eletroforese. Moléculas menores movem-se mais rapidamente que moléculas maiores, tornando-se portanto separadas em bandas. O DNA é corado com brometo de etídio, uma molécula que fluoresce quando 
          iluminada com luz Ultra Violeta.

Objetivo
Demonstrar como ocorre uma reação de restrição de DNA com a utilização de enzimas de restrição.

Materiais e Métodos
Microtubos de 1,5 mL e 0,2 mL.
Galeria para microtubos.
Pipeta automática.
Ponteiras.
Reagentes: Enzimas de restrição, tampão específico, e DNA.
Banho maria

Digestão total
1 - A um microtubo colocado no gelo adicionar:
5μl do DNA amplificado por PCR
1μl de tampão conveniente (10x conc.)
Água ultra-pura esterilizada q.s.p. 1 μl.
Misturar suavemente agitando no vortex. Manter o microtubo no gelo.


2 - Adicionar 1μl da enzima de restrição e agitar.
As enzimas de restrição são extremamente caras e de grande instabilidade.
Nas preparações comerciais, estas enzimas estão em soluções concentradas de glicerol e mantidas a -20°C. Assim, deve-se ter o maior cuidado ao pipetar estes produtos para evitar desperdícios e desnaturações, de acordo com os seguintes conselhos:


Certificar-se que usa sempre uma ponta nova da micropipeta;
Mergulhar o mínimo possível da ponta no líquido para pipetar;
Manter a solução da enzima o mínimo de tempo possível fora do recipiente refrigerador ou gelo;
Usar o mínimo possível de enzima, garantindo que este volume não contribui com mais de 10% do volume final de reação.


Para calcular a quantidade a usar, consultar a ficha técnica do fabricante. De um modo geral, 1 unidade corresponde à quantidade de enzima necessária para digerir completamente 1μg de DNA do fago lambda, durante 1 hora a 37°C e com o tampão adequado. Para efeitos práticos, considera-se que:
1U digere 1μg DNA/hora
3 - Incubar a mistura à temperatura conveniente de acordo com a enzima (normalmente 37°C) e durante mais ou menos 2 horas.
4 - Analisar os produtos da reação em eletroforese com gel de agarose ou poliacrilamida.